quarta-feira, 8 de março de 2017

Para cada 134 pessoas que realizam testes de HIV em Stª Cruz do Capibaribe, uma está infectada


Dados mais recentes preocupam e podem aumentar em 2017, teme analista; voluntariado se engaja em campanhas educativas e de prevenção

Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de Santa Cruz do Capibaribe já realizou mais de 23 mil testes – Foto: Bruno Muniz (Agreg Imagem)

Nos últimos dias, dados divulgados pelo Centro de Testagem e Aconselhamento – CTA de Santa Cruz do Capibaribe – preocuparam. O crescimento no número de pessoas infectadas com o HIV (Human Immunodeficiency Virus) abriu novas discussões sobre campanhas de prevenção e conscientização para com o diagnóstico.


Na manhã desta quarta-feira, 08, o Blog do Bruno Muniz esteve colhendo dados e conversou com pessoas envolvidas no enfrentamento ao contexto de desinformação que envolve a transmissão da doença até então sem cura. Vale destacar que já existem tratamentos avanços e que garantem o bem estar do paciente, mas, o vírus ainda provoca uma série de transtornos.


Desde 2010, os números já demonstravam considerável crescimento, onde em 2.569 testagens, 26 pessoas foram diagnosticadas com o vírus em Santa Cruz do Capibaribe. No ano passado, já com mais de 110 mil habitantes, a Capital da Moda voltou a causar temor quando em 4.821 testes, 36 pessoas foram confirmadas com a doença.


Os responsáveis pelo CTA de Santa Cruz do Capibaribe ressaltam que o público infectado é o mais variado possível, composto por adolescentes, jovens e adultos. A maioria de infectados ainda é do sexo feminino. Em alguns dos casos os portadores acabam descobrindo a doença por acaso, ou seja, esta mesma pessoa pode ter infectado outros indivíduos sem ter conhecimento de sua condição.


Abaixo, o Blog elenca os dados oficiais dos últimos anos e expõe o crescimento no número de pessoas que descobrem a doença no centro de tratamento público do município. Testes em clínicas privadas não foram relacionados.

Dados do CTA de Santa Cruz expõe cenário de crescimento no número de infectados – Foto: Blog do Bruno Muniz

Os dados mais alarmantes foram registrados nos anos de 2014 (36 casos) e 2016, também 36 casos, com um diferencial, em 2016 o número de pessoas que realizou os testes é significativamente menor ao ano de 2014. Em 7 anos (de 2010 a 2016) foram realizados mais de 26 mil testes, estes que diagnosticaram o vírus em pelo menos 171 pessoas.

A prevenção mais eficaz continua sendo o preservativo e obviamente, a conscientização. Em conversa com Laércio Glicério, um dos santa-cruzenses preocupados com o avanço do vírus na cidade, o mesmo relatou que desenvolve um trabalho de palestras em escolas que visa a diminuição nos casos da AIDS por meio da educação.

"Desde 1998 eu faço um trabalho em defesa da vida, contra o aborto. E quanto eu comecei alguns professores me questionaram o porque que eu não acompanhava e abordava a questão do vírus HIV, desde então eu comecei acompanhar a nível de Brasil, e a partir de 2009 foquei nos dados de Santa Cruz do Capibaribe", explicou Láercio.


Bruno Muniz conversa com Laércio Glicério, ativista social que realiza palestras de conscientização – Foto: Eliton Araújo (Agreg Imagem)

Inicialmente Laércio destacou que as pessoas não se dão conta da gravidade do tema, o que colabora ainda mais para transmissão que está atrelada a falta de informação e cuidados básicos. Para o analisador dos dados, o número de aidéticos pode mais que dobrar nos próximos anos caso ações de prevenção não sejam adotadas.

"A gente tem observado que esses números tem aumentado assustadoramente. Eu acho que a questão é nacional, acho que o Governo Federal falhou na divulgação de campanhas, até o próprio pessoal da área de saúde, esses números são desconhecidos para alguns. É em todas as classe sociais e não é só jovens", especificou.


Laércio exibe a 2ª Edição da Revista "Deixe-me Viver", exemplar de sua autoria que possui temática contra o aborto e aborta temas relacionados a DST's – Foto: Bruno Muniz (Agreg Imagem)

Ainda de acordo com Laércio, a limitação na enfatização de campanhas que alertem para o assunto colaboram significativamente para multiplicação dos casos diagnosticados como soro positivos.

"Vale destacar que o tratamento para doença no Brasil, e principalmente aqui em Santa Cruz do Capibaribe, é uma coisa de primeiro mundo, muito eficiente. A pessoa mesmo infectada pode ter uma qualidade de vida normal. O problema todo é a falta de divulgação, as pessoas precisam saber que necessitam realizar os testes e os doentes precisam saber que estão doentes para não infectarem mais pessoas", resume L. Glicério.Relatório parcial do carnaval em Pernambuco 

Casos confirmados surpreenderam até mesmo os responsáveis pelos testes – Foto: Divulgação

Um dado que exemplifica bem a atual situação do país e do estado de Pernambuco, por exemplo, é o carnaval. Durante os dias de folia foram realizados uma média de 279 testes em pouco mais de dois dias, onde desses nove acabaram descobrindo que estavam com o vírus.

"Realizamos até agora 279 testes. E esse número de nove resultados reagentes à soropositividade está em uma média cinco vezes mais alta do que se é esperado para o período [do carnaval]", informou o chefe de setor de HIV/Aids da Secretaria de Saúde do Recife, Alberto de Oliveira, ainda durante o período carnavalesco.

O Centro de Testagem e Aconselhamento de Santa Cruz do Capibaribe fica situado na Rua Bernadino Gomes nº 56. No local são realizados testes gratuitos de HIV, além de exames de sífilis e hepatites B e C, diariamente, com turmas às 7h e 9h30. O departamento ainda promove palestras de orientação sobre DST’s e realiza distribuição de preservativos.

Blog do Bruno Muniz


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