
Seria cômico se não fosse trágico ver o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (UB), confirmar que sai candidato a deputado federal em alinhamento automático, leal e firme com a governadora Raquel Lyra (PSD), a mesma que prometeu a ele o que não podia entregar: uma postulação ao Senado pela federação União Progressista.
Trágico porque Miguel não será atendido pelo seu eleitorado fiel, que, diferente dele, não disfarça. O que se observa em Petrolina é um eleitor que sempre votou em Miguel profundamente desapontado com a governadora. Depois do ex-prefeito ser rifado para o Senado, o eleitor petrolinense só se refere a governadora como traidora.
Traiu, segundo o sentimento na cidade, não apenas a pessoa de Miguel, mas a região sertaneja, especialmente o São Francisco. Há tempos Petrolina queria voltar a ter voz no Senado, perdida com a “aposentadoria” precoce do ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB).
Petrolina teve ainda, lá atrás, um leão que rugia com uma força indiscutível na Casa Alta: o saudoso Nilo Coelho, tio de Fernando Bezerra Coelho. Foi governador, senador e presidente do Senado, tendo exercido o mandato de senador no período de 1979 a 1987.
Faleceu no exercício da presidência do Senado em 9 de novembro de 1983, depois de um episódio firme em defesa da soberania do Congresso Nacional, ficando imortalizado na história com a seguinte frase, da tribuna do Senado: “Não sou presidente do Congresso do PDS; sou presidente do Congresso do Brasil”.
Miguel vai pregar no deserto o voto em Raquel. Petrolina e o Sertão não engoliram a traição da governadora. Ande por lá, converse com qualquer eleitor de Miguel, para constatar esse sentimento que já colhi e aqui traduzo com fidelidade.


Foto: Lucas Carvalho


